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Sábado, 25 de Dezembro de 2010

HIV E SIDA

Apesar de quase todos os dias ouvirmos falar de SIDA, acredito que ainda existam alguns mitos, lacunas de informação ou puro desconhecimento acerca deste tema. Além disso surgem notícias preocupantes que revelam que os jovens estão cada vez menos preocupados com esta epidemia, achando que ela tem cura. Assim, decidi aceitar o desafio da Sónia, a quem desde já agradeço a sugestão, e falar sobre este tema.

 

A Síndrome de Imunodeficiência Adquirida foi descrita pela primeira vez em 1981 nos EUA. É, por isso, uma doença recente mas que, rapidamente, se disseminou e actualmente representa uma verdadeira pandemia, com 33 milhões de infectados. Em Portugal há 42 mil infectados, mais 11 mil do que no ano de 2001. Estima-se que em todo o mundo a SIDA já tenha sido causa de morte de 25 milhões de doentes.

Esta síndrome desenvolve-se após a infecção pelo vírus do HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana). A transmissão dó HIV ocorre principalmente através do contacto com secreções orgânicas (sangue, esperma e secreções vaginais). Assim, as vias predominantes de contágio são a sexual, a sanguínea (transfusões) e transplacentária (mãe-filho).

Os principais comportamentos de risco são:

- toxicodependência (uso de drogas endovenosas e partilha de seringas)

- sexo desprotegido e elevado nº de parceiros

- homossexualidade (muito associada ao HIV aquando do aparecimento da SIDA, actualmente verifica-se uma nova epidemia da infecção neste grupo de risco, tendo a OMS apontado em 2009 que o "sexo entre homens" é o modo de transmissão mais frequente do HIV na América do Norte e na União Europeia. A probabilidade de homens que têm relações sexuais com homens contrairem o HIV é 40 vezes superior à da população em geral.)

 

Existem dois tipos de infecção: HIV-1 e HIV-2 (representa apenas 9% da infecção em Portugal).

A infecção vai afectar essencialmente os linfócitos T, que são células do sistema imunitário. De entre os dois tipos de linfócitos T (CD4 e CD8), as células que são o alvo do HIV são as CD4 ou linfócitos T auxiliares, que são as responsáveis pela gestão e coordenação da resposta imunitária. O HIV causa a sua destruição e perda de função. Mas ser HIV positivo ou ter SIDA não é a mesma coisa. Um doente pode apenas estar infectado, mas manter durante muito tempo, e sobretudo com recurso à terapêutica, o seu sistema imunitário capaz. Só quando as células diminuem para menos de 200 células CD4 por mm3, se considera que o indivíduo tem SIDA, ou seja, o seu sistema imunitário está comprometido e susceptível a infecções oportunistas, que não seriam perigosas se o mesmo sistema estivesse intacto.

 

Quando o indivíduo é infectado pelo HIV (primoinfecção HIV) pode ter manifestações clínicas (50 a 89% dos doentes), que geralmente duram menos de 2 semanas:

- febre

- dor de garganta / faringite

- adenomegálias (aumento dos gânglios linfáticos) - frequentes em muitas infecções virais

- cansaço

- cefaleias (dor de cabeça)

- dor articular

- dor muscular

- exantema eritematoso da face, tronco ou extremidades (mancha avermelhada), sem prurido (comichão)

- perda de peso

- náuseas e vómitos

- diarreia

 

Três a nove semanas após a infecção ocorre a seroconversão, ou seja, passa a ser possível detectar anticorpos contra o vírus no sangue do doente. Ele torna-se seropositivo HIV. Além disso o doente passa da infecção aguda para a infecção crónica assintomática ou latente por HIV, com a estabilização da carga viral e da contagem das células CD4 durante vários anos. Há um aumento gradual da carga viral de cerca de 7% ao ano.

 

 

A infecção sintomática por HIV (SIDA) surge quando as células atingem os 200 CD4 por mm3. As manifestações podem resultar do efeito directo do vírus (linfadenopatias generalizadas persistentes, demência, nefropatia) ou serem consequência da imunossupressão.

As principais complicações precoces por imunossupressão são:

- candidíase oral

 

 

- pneumonia pneumocócica e infecções respiratórias recorrentes

- tuberculose pulmonar (a co-infecção HIV e TB é muito frequente)

- zona (infecção por herpes zoster)

 

Mais tardiamente ocorre:

- sarcoma de Kaposi - é um tumor maligno que se manifesta por lesões cutâneas sob a forma de pápulas acastanhadas/arroxeadas (afecta outros órgãos como o pulmão e o cérebro)

 

 

- pneumonia por Pneumocistis jiroveci (carinii) - é a manifestação inicial de SIDA em 60% dos doentes (falta de ar, tosse seca, perda de peso e febre)

 

 

- retinite a Citomegalovírus (CMV) - manchas algodonosas visíveis no fundo do olho (através de fundoscopia)

 

 

- meningite por Cryptococcus (cefaleias, febre e sinais meníngeos)

- toxoplasmose cerebral (cefaleias, febre, sinais neurológicos focais, encefalopatia)

 

 

- gastroenterite por criptosporidiose, por Isospora, Entamoeba histolytica ou Giardia lamblia

- tuberculose extrapulmonar (pleural, ganglionar, osteoarticular, genitourinária, gastrointestinal, ...)

- cancro invasivo do colo do útero

- linfoma

 

 

A terapêutica HAART (Highly Active Anti-Retroviral Therapy) foi um marco definitivo no prognóstico destes doentes, tendo aumentado significativamente a esperança de vida. Consiste na combinação de vários fármacos antiretrovirais com diferentes mecanismos de acção de forma a combater o vírus em diferentes frentes. Mais frequentemente é usada a combinação de dois inibidores da transcriptase reversa nucleosídeos(zidovudina ou AZT, lamivudina) ou não nucleosídeos (nevirapina, efavirenz) e um inibidor da protease (saquinavir, ritonavir, atazanavir). Os principais objectivos da terapêutica são a diminuição da carga viral, a melhoria do estado imunitário com preservação e restauração dos CD4 (com consequente interrupção de infecções oportunistas) e, por fim, a diminuição da morbilidade e mortalidade.

 

Na verdade, o grande sucesso da terapêutica em cumprir estes objectivos tem-se revelado bastante pernicioso no que às mentalidades diz respeito. Se é verdade que a SIDA é uma doença marcada pelo preconceito e pelos estigmas, também é verdade que as pessoas costumavam temê-la. No entanto estes óptimos resultados terapêuticos vieram criar novas esperanças e dar lugar à complacência, pondo de parte o medo e alimentando a falsa ideia de que a SIDA já tem cura. Ainda recentemente li que os jovens estão cada vez mais destemidos e convencidos de que a SIDA já tem cura. Por outro lado, os homens de meia-idade também se destacam pela falta de prevenção. Assim, as mulheres heterossexuais e com mais de 50 anos são um dos grupos onde têm crescido os casos de infecção, vítimas inocentes dos maridos que não se protegem nas relações extraconjugais.

 

A prevenção, nunca é demais repetir, passa pelo uso do preservativo, único método que evita a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis! O sexo protegido é uma arma maior na luta contra a SIDA. E porque a quadra festiva a isso convida:

 

fonte: Jornal Notícias 1/12/10 (epidemiologia)
publicado por Dreamfinder às 16:28

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Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

BOAS FESTAS

 

Lamentando a ausência com o excesso de trabalho na faculdade, não posso deixar de desejar as boas festas a todos os que continuam a passar.

 

Cumprimentos

publicado por Dreamfinder às 09:44

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Sábado, 18 de Dezembro de 2010

SUGESTÕES DE TEMAS?

 

Porque a faculdade exige muito e o tempo restante é pouco, acabo por passar aqui menos vezes do que as desejáveis. E quando passo nem sempre tenho ideias sobre que temas escolher para abordar.

Assim a minha proposta é que aproveitem este post e sugiram, na forma de comentários, temas que gostariam de ver aqui abordados. E eu, sempre que possível e que me sentir confortável em discutir semelhante tema, assim o farei.

Não se inibam, deixem as vossas sugestões para que eu possa ir ao encontro do que mais procuram.

 

Cumprimentos,

Vânia Caldeira

publicado por Dreamfinder às 11:51

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HIPERPLASIA BENIGNA DA PRÓSTATA

 

A próstata é uma glândula exócrina que pertence ao sistema reprodutor masculino e produz o líquido prostático, que juntamente com os fluidos das vesículas seminais e os espermatozóides, constituem o sémen. Tem uma capacidade de cerca de 20ml no adulto jovem e a forma de uma castanha, localizando-se abaixo da bexiga e envolvendo a uretra (que é o canal excretor da urina).

Depois dos 40 anos, a próstata sofre um aumento de volume devido à estimulação hormonal pela testosterona que causa uma multiplicação das células, com o consequente aumento do estroma deste órgão. O aumento do tamanho da próstata denomina-se hiperplasia/hipertrofia benigna da próstata (HBP).

 

É uma das patologias mais frequentes em homens a partir dos 50 anos e a sua prevalência aumenta com a idade. É a 2ª maior indicação de cirurgia nesta população.

 

As principais manifestações clínicas resultam da obstrução do tracto urinário pelo crescimento da próstata e são:

 

Sintomas Obstrutivos:

- dificuldade em iniciar a micção / necessidade de fazer força para urinar -

- jacto urinário fraco

- micções prolongadas e intermitentes

- gotejamento terminal

- sensação de esvaziamento incompleto (retenção urinária crónica), pode evoluir para uma bexiga hiperreactiva devido aos esforços constantes para eliminar o volume de urina residual

 

Sintomas Irritativos:

- aumento da frequência urinária

- noctúria (aumento da frequência urinária durante a noite)

- urgência urinária

- incontinência urinária (causada pela urgência em urinar)


As possíveis complicações da HBP são:

 

- retenção urinária aguda (o doente deixa subitamente de conseguir urinar, o que causa dor)

- insuficiência renal

- litíase renal (cálculos ou "pedras" no rim)

 

O diagnóstico resulta dos dados da história clínica, do exame objectivo, particularmente, da palpação do globo vesical no exame abdominal, do toque rectal (que permite palpar uma próstata aumentada não dolorosa). Nas análises laboratoriais é essencial a avaliação da função renal (ureia e creatinina). Em 30 a 50% dos doentes o PSA (antigénio específico da próstata) está aumentado. Deve ainda ser realizada um urina tipo II. Entre os exames complementares podem solicitar-se: medição da urina residual, urofluxometria, ecografia, urografia de eliminação, citoscopia, ...

 

 

O tratamento desta condição apresenta-se em 3 linhas distintas: a observação expectante, a terapêutica farmacológica e a intervenção cirúrgica.

Em doentes com sintomas ligeiros a modernados e sem grande impacto na sua qualidade de vida, deve optar-se por uma atitude expectante, com monitorização clínica e com alterações do estilo de vida:

- evitar a ingestão de líquidos antes de deitar,

- reduzir o consumo de cafeína e de bebidas alcóolicas.

 

O tratamento farmacológico á actualmente a primeira escolha em doentes com HBP moderada a severa e revelou ser eficiente na melhoria sintomática a curto prazo e é essencialmente realizado com recurso em 1ª linha aos bloqueadores alfa1-adrenérgicos, que têm um rápido início de acção (ex: doxazosina, tansulosina) e depois aos inibidores da 5alfa-redutase (ex: finasteride). Ambas as terapêuticas reduzem o volume prostático em 20 a 30% em 30% a 50% dos doentes tratados. A terapia combinada com ambos os agentes é ainda mais eficiente e deve ser usada quando o volume da próstata excede os 40ml.

Os casos com indicação cirúrgica, nomeadamente "cirurgia aberta" (prostatectomia retropúbica ou transvesical), cirurgia endoscópica RTUP - ressecção transuretral da próstata - ou procedimentos minimamente invasivos, são as complicações provenientes da HBP:

- retenção urinária

- insuficiência renal obstrutiva

- hematúria (sangue na urina)

- infecção urinária recorrente

- litíase vesical (cálculos na bexiga)

- presença de divertículo

A cirurgia envolve como riscos mais frequentes a ejaculação retrógrada (o sémen não é expelido e vai para a bexiga, podendo sair na urina) e a hemorragia. Pode ainda ocorrer estenose da uretra e do colo da bexiga, incontinência urinária, disfunção eréctil e fístula urinária. É importante não esquecer que a cirurgia não remove toda a próstata, mas apenas a porção hiperplasiada, pelo que se mantém a possibilidade de desenvolver carcinoma da próstata.

 

 

Aconselho a visita do site da Associação Portuguesa de Doentes da Próstata: http://www.apdprostata.com/

E da Associação Portuguesa de Urologia: http://www.apurologia.pt/

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publicado por Dreamfinder às 10:41

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